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sábado, 21 de março de 2026

Portugal e Finlândia (Novembro 2024)

Lia, esta é a história da nossa aventura em Portugal e Finlândia!

Uma das coisas mais incríveis de rever nossas fotos é notar como o mundo mudou de cor em questão de horas. Começamos mergulhados no Amarelo Lisboa,  aquele tom quente dos prédios da Baixa, do sol batendo no Arco da Rua Augusta e do dourado das conservas da Comur. De repente, como num passe de mágica (e um voo da Finnair!), nossa paleta virou o Branco Lapônia. O horizonte se transformou em um infinito de neve, onde os pinheiros pareciam esculturas de açúcar e o céu assumiu tons pastéis que eu nunca tinha visto. É engraçado ver suas fotos: em um momento você é uma menina leve explorando o Chiado, e no outro, parece uma pequena astronauta do gelo, toda empacotada em camadas, pronta para desbravar o Polo Norte!

PORTUGAL

LISBOA - parte 1

Começamos por Lisboa, em Portugal, onde, apesar da estadia curta (uma noite no início da viagem e outra noite no final), vivemos aventuras, nos divertimos e  ficamos com gosto de quero mais — uma cidade linda, com preços razoáveis, uma língua que parece um abraço e um voo "curto" que não assusta.

O voo não assusta, especilamente pra quem vai deitadinha assim. Classe executiva raiz!

A nossa hospedagem em Lisboa na primeira noite foi no Chiado Dream Apartments, que ficava bem no coração da cidade. O apartamento foi um achado, com um teto de beleza insuperável e uma mini cozinha (que dessa vez nem usamos). Era limpinho, cheiroso e tinha até uma lavanderia coletiva e gratuita que se mostrou uma verdadeira bênção depois que pegamos a maior chuva do mundo

Localização incrível, com cozinha no quarto e lavanderia coletiva. Custou uns R$ 900, sem café da manhã. Reservei aqui.


O primeiro dia rendeu muitas descobertas. Caminhamos pelas ruas elegantes do Chiado e da Baixa Pombalina. A Baixa é o centro da cidade e é muito especial: ela foi inteiramente reconstruída após o Terremoto de 1755, um evento catastrófico que quase destruiu Lisboa. O Marquês de Pombal, que liderou a reconstrução, fez as ruas todas retinhas e organizadas, um dos primeiros exemplos de planejamento urbano antissísmico do mundo! Lá, você se encantou com a estátua do famoso poeta Fernando Pessoa, sentado na mesinha do Café A Brasileira. Sabia que Pessoa é um dos maiores poetas de Portugal e que ele costumava sentar ali para escrever? Pessoa era um homem cheio de ideias e inventava até personagens dentro dele mesmo (ele dizia que tinha “muitos eus”).


Depois, seguimos pela movimentada Rua do Carmo, onde vimos o majestoso Elevador de Santa Justa, todo feito em ferro. Ele é considerado um monumento nacional e foi projetado por Raoul Mesnier du Ponsard, um discípulo do famoso Gustave Eiffel (o mesmo da Torre Eiffel!). O elevador, com seu estilo neogótico, inaugurado em 1902, não é apenas lindo, ele cumpre uma função importante: liga a Baixa à parte alta da cidade, o Chiado.



Na hora do almoço, fizemos uma parada obrigatória no Solar do Bacalhau, porque não dá para passar por Lisboa sem provar o famoso peixe português! Os pratos estavam muito gostosos, que saudade que eu estava de bacalhau em Lisboa.

18 , ora pois.

Depois do almoço, a nossa grande missão foi subir até o Castelo de São Jorge! Para chegar lá, tivemos que subir muitas escadinhas na Alfama, o bairro mais antigo de Lisboa e o único que resistiu ao grande Terremoto de 1755. A Alfama é famosa por suas vielas apertadas e pelo Fado, o canto triste e nostálgico que é Patrimônio da Humanidade. O Castelo de São Jorge é um lugar importantíssimo: ele foi  construído pelos Mouros (árabes que ocuparam a Península Ibérica) por volta do século XI e depois foi conquistado por Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. As muralhas que vimos têm mais de mil anos de história!

Restaurante Madalena, que entramos rapidinho. Olha que decoração incrível! Fica  bem perto da Baixa e na subida para a Alfama.


No meio da subida em Alfama. Reclamou e ganhou cavalinho. O cansaço era só para as escadas sem graça, viu? Chegando no Castelo, havia energia mais que suficiente para correr atrás dos pombos!


Lia, quando chegamos à bilheteria do Castelo de São Jorge, quase desanimamos: a fila estava gigante! Na internet, o ingresso custava 19€, mas na bilheteria física o preço oficial era 15€ (e você, com 8 anos, não pagava!). Fui perguntar para a guarda se a fila era aquela mesma e ela me apontou uns caixas eletrônicos ao fundo, onde ninguém estava esperando. Comprei ali mesmo, pelo mesmo preço da bilheteria com humanos, e entramos em minutos. Até a guarda deu risada quando perguntei por que todo mundo preferia a fila imensa: "Isso eu não sei explicar!", disse ela. Fica a lição: às vezes, a solução para o perrengue está logo ali do lado, só esperando a gente olhar com atenção!

Conseguimos entrar para ver as muralhas, e lá você teve energia de sobra para correr atrás dos pombos nas ruínas. E, surpresa! Havia lindos pavões de cauda verde e azul empoleirados nas árvores!

Pavão e borboleta. Parece a Branca de neve.



O pavões nas árvores!

Familia. Famí-LIA. Fa-MILHA.




Foi ali, olhando para os telhadinhos vermelhos da Alfama e o vasto Rio Tejo lá longe (o rio que leva ao Oceano Atlântico), que tiramos a nossa foto preferida: nós três, sorrindo, o vento bagunçando seu cabelo e a sensação de que estávamos exatamente onde deveríamos estar.

O Castelo de São Jorge é um passeio que une história e lazer: você pode explorar as muralhas e torres do século XI, visitar o núcleo arqueológico e se encantar com a Câmara Escura, que projeta Lisboa em 360°. Além da vista panorâmica espetacular do Miradouro, o ponto alto para as crianças é interagir com os famosos pavões que circulam livremente pelos jardins, tornando a visita leve e visualmente inesquecível.

Mas as nuvens ficaram pesadas e, de repente, a chuva que vimos longe chegou! Tivemos que nos abrigar na igreja logo na saída do castelo e, depois, em lugares deliciosos.

Uma delas foi a Natas N Friends, uma loja pequenininha onde mal cabiam 10 pessoas em pé. A dona, uma senhora super gentil chamada Lurdes, foi um anjo e até tentou pedir um táxi para a gente, mas ele nunca apareceu. Acabamos ficando por lá quase uma hora, aproveitando e comendo gostosuras. Dois cafés e um pastel de nata delicioso por apenas 5 euros. E a  gentileza da Lurdes?  Não tem preço!

A chuva deu uma trégua e encaramos mais um trechinho. Chegamos na Pastelaria Santo António, que tem mais de um século de história e é famosa pelos seus doces conventuais, onde você tomou sorvete e mamãe comeu um delicioso quindim. 


Seguimos. A chuva apertou tanto, que o chão de pedras parecia sabão. Tivemos até que parar em uma loja de presentes supercolorida chamada Ale Hop e, por fim, chegamos em casa. Mamãe e papai ensopados!  Você estava com a minha capa de chuva :-) Dizem que tomar chuva em Euro, traz Euros para a conta bancária! Vamos dizer AMÉM!

A chuva demorou a passar, perdemos umas horas preciosas em Lisboa. Saimos pra jantar pertinho do hotel mesmo e fomos dormir.

No segundo dia,  a cidade sorriu para a gente! Depois do "dilúvio", Lisboa amanheceu linda, limpa, com céu azul e até com calor. Aproveitamos para passear pela manhã e tirar fotos incríveis no Arco da Rua Augusta, um monumento gigante de 1873 que celebra a reconstrução de Lisboa após o terremoto. No topo dele, você pode ver estátuas de figuras importantes, como o navegador Vasco da Gama e o Marquês de Pombal.


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Nós demos um "bateção de perna" na Praça do Comércio, que é uma das maiores e mais bonitas praças da Europa, antigamente chamada de Terreiro do Paço. De lá, visitamos a loja Comur – Conserveira de Portugal. Lia, você posou em frente a um cofre dourado que guardava um tesouro inusitado: sardinhas enlatadas com pó de ouro! As conservas de peixe são uma tradição muito antiga em Portugal e têm uma grande importância histórica para a economia do país. O passeio pela Rua Augusta ainda rendeu umas risadas com um doce de nome engraçado na loja Candy Lisa!







Não sei o que é melhor, o nome, o rótulo, a referência..ahahah


Após a nossa breve, mas intensa, estadia em Lisboa, era hora de partir para a Finlândia. Almoçamos no aeroporto. Nosso voo de Lisboa para Helsinque tinha uma conexão apertada de apenas 50 minutos para seguir até o nosso destino final: Rovaniemi, a casa do Papai Noel!

No entanto, o universo dos aeroportos tinha outros planos. O nosso voo inicial atrasou mais do que o esperado e, como resultado, perdemos a conexão para a Terra do Papai Noel. Chegamos ao Aeroporto de Helsinque quase à 1 da manhã, e o novo voo para Rovaniemi foi remarcado para as 6h30.

Lia, o que aconteceu com a gente é chato, mas aqui entra uma coisa super importante: conhecimento! Como o voo atrasou e perdemos a conexão na Europa, a companhia aérea teve que cumprir o Regulamento CE 261/2004 da União Europeia. Curiosidade do Viajante: Este regulamento (CE 261/2004) garante que se um voo na Europa atrasar mais de três horas ou for cancelado, a empresa deve fornecer assistência material.

E a Finnair demonstrou um tratamento excelente! Eles rapidamente nos entregaram o voucher para o hotel (o lindo e confortável Clarion Hotel Helsinki Airport), nos deram as novas passagens e garantiram que as nossas malas seriam realocadas. Essa assistência (hotel, alimentação, transporte) é um direito do passageiro garantido pela lei europeia!

Além da assistência imediata, também solicitamos a indenização prevista da CE 261/2004. O procedimento é simples: no próprio site da Finnair tinha o local para preencher e solicitar a indenização. Depois de alguns dias, recebemos 600 euros pelo atraso do voo. Nada mal, né?

E , além disso, de novo, como compramos as passagens usando um Cartão de Crédito que oferece benefícios de viagem, nós também tínhamos um seguro que indeniza em caso de atraso de voo.  Acionamos também o seguro do cartão e deu certo!

Conhecimento é poder.

Bem instalados naquele hotel maravilhoso no aeroporto de Helsinki, e com tão poucas horas disponíveis, mamãe fez um cálculo: já que íamos dormir pouco (apenas das 2h às 4h30), valia a pena garantir um café da manhã dos campeões! O café da manhã do hotel era espetacular e começava a ser servido às 4h, permitindo-nos aproveitar. 

Quanto mais o tempo passa, mais mamãe tem certeza que luxo de verdade é fruta fresca cortada.

Você, nossa pequena guerreira, tirou um cochilo de 3 horas na madrugada, tomou o café da manhã, e ainda dormiu mais 1 hora e 30 minutos no voo para Rovaniemi. Chegou por lá com roupa de ir desbravar terras novas ao norte do globo terrestre!


FINLÂNDIA 

ROVANIEMI - parte 1

O terceiro dia começou com nossa chegada em Rovaniemi, nLapônia Finlandesa, no Polo Norte! Ao aterrissar, fomos recebidos por uma cidade branquinha e um aeroporto que era pequeno, fofo e todo enfeitado, com clima de Natal. A Lapônia, a região mais ao norte da Finlândia, é uma área culturalmente importante, lar do povo Sami, e é famosa por ser a casa oficial do Papai Noel. 




Pegamos um táxi (caro!) para chegar ao nosso apartamento do Airbnb. O apartamento era muito legal, com cara de casa, vistas maravilhosas, limpo e confortável – um excelente refúgio por R$ 1.865 por 3 diárias.

O apartamento era maravilhoso e tinha uma "cara de lar" que nós adoramos! Ele era limpo, confortável, completo e ficava em uma localização excelente: bem na frente do Museu Arktikum, o que nos dava uma ideia da importância da região para a pesquisa do Ártico.

Os janelões da cozinha e sala de jantar tinham vista de pinheiros cobertos de neve, em uma paisagem de inverno que parecia um cartão-postal. Era delicioso tomar café da manhã na mesa de madeira rústica, olhando para a neve lá fora, onde até as árvores pareciam decoradas. 





Devido ao cansaço da viagem e da madrugada perdida, a primeira missão foi dormir um pouco. Depois do descanso, fomos buscar o carro alugado na locadora Green Motion, que só conseguimos pegar na cidade, já que o nosso voo original chegaria de madrugada. Almoçamos em um McDonald's local e partimos para o destino mais esperado: a Santa Claus Village!

Sobre o aluguel do carro, ainda bem que superamos o medo de dirigir na neve e alugamos o carro. Foi confortável, conveniene e muito mais barato que usar outros transportes. Pegamos um Toyota Cross híbrido, mega econômico e confortável. O custo de 7 diárias foi de $435,10. E devolvemos sem custo adicional no aeroporto. Abastecemos o carro 1 vez. Por estamos de carro, não precisamos contratar tour para ver a autora boreal (acompanhávamos pelos APPS e íamos para lugares escuros) e tivemos flexibildiade para otimizar nosso roteiro conforme nossa conveniência. 


O carro já vem com pneus próprios para neve. Acho que não existe mais aquela história de corrente para os pneus nos carros mais novos.

A Vila do Papai Noel é fofa demais! Cheia de lojinhas lindas e com um serviço de correios especial (que envia cartas com o carimbo oficial do Círculo Polar Ártico). É um presentão para quem a gente ama, inclusive nós mesmos, né? Uma coisa legal é que a gente pode optar para que o postal enviado seja entregue apenas no Natal.

Por lá fica o ponto do Círculo Polar Ártico. Este Círculo é uma linha imaginária muito importante no mapa, pois é ele que define o limite da região onde, no verão (em junho), o sol não se põe (o sol da meia-noite), e no inverno, o sol pode não nascer por dias (a noite polar, ou Kaamos). Nós sentimos isso: no início de novembro, o sol já estava se pondo às 15h30! O céu, lindo e azul, e a temperatura de -6°C, tornavam a paisagem de outono/inverno inesquecível.

Eu amo essa foto de um tanto...inverno e outono em um só clique!






A cor do céu! Não há filtro nessa foto, tá ok?


E sim, encontramos o Papai Noel (Joulupukki)!

Demos sorte com o horário, pois o escritório estava vazio e rapidinho chegou a nossa vez. O Papai Noel de Rovaniemi era super preparado, falava várias línguas e interagiu com você sobre os seus Legos. No entanto, o encontro não foi bem o que esperávamos. O encontro é extremamente comercial e focado em vendas. Não é permitido filmar ou tirar fotos dentro do escritório dele. A única opção era comprar a foto deles (por uns €30) ou o arquivo digital, que somava €50 (o pedágio da magia era caro!). Você, com sua esperteza de oito anos, não deu muita bola para essa parte "comercial" e se divertiu muito mais com o Papai Noel de Lego na saída, onde a foto era de graça e a brincadeira foi livre!  


Para chegar até o Papai Noel, passamos por uma lojinha antes.

















Apesar disso, a vila tem cantinhos de puro encanto, como o posto de correios oficial, onde enviamos cartões com o carimbo do Círculo Polar para chegarem só no próximo Natal. No fim das contas, a Vila do Papai Noel é um grande parque temático ao ar livre que vale a visita pela simbologia e pelo carimbo no passaporte, mas aprendemos que as melhores memórias, como as nossas fotos sorrindo na neve sob as lanternas da vila, não custam um centavo e valem muito mais que qualquer arquivo digital pago.

O Correios do Papai Noel é o lugar mais fofo da Vila! Você pode enviar cartões postais para qualquer lugar do mundo com o carimbo oficial do Círculo Polar. É um presente inesquecível por poucos euros.

Jantamos nesse dia no Rosso, um restaurante italiano muito bom, com preços ok, mas comida farta e deliciosa.

Lia, o nosso primeiro dia em Rovaniemi já começou com uma emoção que eu não consigo nem descrever: nós vimos a Aurora Boreal! A razão mor dessa viagem apareceu logo de cara, e tudo graças ao monitoramento inquieto do papai e da mamãe. Ficamos em casa de olho nos aplicativos e, mesmo tarde da noite, com você já enroscada nas cobertas vendo desenho, o papai deu o alerta de que a previsão estava boa. Sem pensar duas vezes, vestimos as roupas e fomos seguindo para o norte, meio "na doida", confiando no GPS da alma. E 7km depois.....não é que achamos? Foi massa demais! Achamos um local seguro para parar o carro. O termômetro do carro marcava -11°C, e lá estava o seu pai, sem luva nenhuma, ajustando tripé e celular para captar aquela luz verde que dançava, mudava de forma e de intensidade bem na nossa frente. Foi o meu presente de 22 anos de casados e um momento tão lindo!! 








No quarto dia de viagem, curtimos Rovaniemi sem muito compromisso. O dia começou com uma daquelas imersões profundas na vida local que nenhuma guia de viagem consegue traduzir totalmente.

Depois de um café da manhã preguiçoco olhando pela janela, fomos pro parque em frente ao apartamento brincar na neve


Vista do ap.

Prédio do nosso ap ali atrás. Solzinho de meio dia baixo no horizonte.


No local, havia um playground cercado, coberto de neve, que se transformou em um lugar mágico. Um grupo da escola estava brincando ali e não pensou duas vezes: se jogou na brincadeira! Você se entrosou rapidamente com um dos grupos de escola. O que mais impressionou a mamãe e o papai foi como as crianças se entendem, mesmo falando línguas diferentes (você com seu inglês e elas com o finlandês).  Vocês se entenderam perfeitamente na linguagem universal da brincadeira e do abraço,

                        



O momento mais fofo e engraçado foi quando você se despediu, abraçando a sua nova amiga finlandesa que você chamou de Elsa! A sua capacidade de fazer amigos na neve, mesmo sem falar a mesma língua, prova que a língua da brincadeira e do abraço é universal. Foi um momento de pura alegria e uma "penetração" bem-sucedida na cultura local!

As redondezas eram linda, com os bancos de madeira cobertos de neve e as árvores de bétula (típicas do norte). O único desafio era o carro, que ficava completamente coberto de neve. Mas, como papai disse, apesar de ser um trabalho limpar o carro todo dia, "que é lindo, é!"


Bolo de coco

Logo depois, seguimos para o parquinho do Angry Birds, onde o chão não era aquela neve fofa de filme, mas um tapete de gelo firme que desafiava qualquer equilíbrio, mas não o seu sorriso, que parecia ignorar os graus negativos. Você brincou muito, se jogou na neve. Só fomso embora porque mamãe  apapi estavam congelando de frio!






A vista do parquinho

Quando o frio realmente apertou e o sol se despediu cedo demais, por volta das 15h30, buscamos refúgio no Shopping Kauppakeskus. Foi interessante percorrer os corredores e ver vitrines exibindo engenharia têxtil pura, com luvas e botas projetadas para suportar impressionantes -30 graus, um singelo detalhe que faz a gente perceber o quanto o Ártico exige respeito e preparo. Almoçamos no delicioso Friend & Brgrs e batemos perna. Mas dessa vez não tinha Zara ou H&M, e sim Marimekko (a marca de design mais famosa da Finlândia), Halti e Luhta (marcas finlandesas de roupas de inverno de alta performance),  Partioaitta (loja especializada em equipamentos para atividades ao ar livre), K-Citymarket ou S-Market (mercados que tem de tudo).



O teto do shopping precisa de um 'céu' de mentira pra gente não esquecer o que é a luz do dia.


 Balas de alcaçuz (lakritsi), bem ruins, exceto para o papai, que gostou.



Voltamos para casa para banho. Nesse ponto cabe registrar uma maravilha da engenharia finlandesa. O design inteligente do banheiro em nosso Airbnb nos impressionou. O ralo não ficava perto do chuveiro, mas o caimento do piso é tão perfeito que a água corria livremente em direção ao ralo posicionado estrategicamente do outro lado do cômodo, passando por baixo da pia e ao lado da máquina de lavar. 

Para fechar o dia com chave de ouro, decidimos investir em uma experiência gastronômica de verdade no Arctic Restaurant. O contraste foi absoluto: saímos do gelo extremo para um ambiente acolhedor, à luz de velas, com pratos típicos maravilhosos e uma conta "cara para dedéu" que fez a mamãe lembrar por que economizamos tanto nos dias de cozinha em casa. Foi o equilíbrio perfeito da nossa jornada: o luxo de um jantar memorável no topo do mundo precedido pela simplicidade de uma amizade feita na neve, provando que a melhor parte de viajar é saber transitar entre o simples e o sofisticado com a mesma alegria.

A experiência gastronômica teve seus altos e baixos: enquanto o peixe (Arctic Char) estava gostoso, porém pequeno, o prato de rena (Reindeer roast) estava delicioso e com um tamanho mais satisfatório. Eu ainda me aventurei em uma taça de vinho tinto sem álcool por 6€. Apesar do aroma excelente e do primeiro gole promissor, logo percebi que era basicamente um suco de uva e acabei deixando metade no copo, ou seja, 3€ jogados no lixo! Você aproveitou o menu kids, com um "hamburgão" com fritas e sorvete de sobremesa por preços bem honestos para as crianças. No final, a conta fechou em 90,60€ e, embora tenha valido pela experiência da década, saímos com a certeza de que outra extravagância dessas só em 2030!





Foi nossa última noite nesse ap. No dia seguinte, fomos para o norte (mais ainda!) 

Recadinho deixado no caderno de hóspedes.


No quinto dia, rumamos para Saariselkä. Acordamos com neve em Rovaniemi com a neve caindo sem parar. Confesso que consideramos esperar o tempo abrir antes de encarar o trajeto de 260 km. No entanto, ao olharmos pela janela, vimos a vida fluindo com absoluta normalidade: carros andando, pessoas passeando com seus cachorros e até o grupo escolar brincando tranquilamente no playground. Era o sinal óbvio de que, para os finlandeses, aquilo era apenas mais um dia comum.




Antes de pegarmos a estrada, chegou a minha vez de enfrentar um rito de passagem local: varrer o carro para tirar a camada de neve que o cobria inteiramente. 

Nem deu taaanto trabalho assim...rsrs

Com o Toyota Cross devidamente limpo, iniciamos a viagem rumo à estrela mais ao norte do mapa. O caminho era desafiador, com a estrada branca sumindo na paisagem, mas tivemos a sorte de contar com "pessoas abençoadas" que passaram antes e deixaram rastros na neve, indicando exatamente por onde deveríamos seguir. Seguimos confiantes, prontos para a próxima etapa da nossa aventura no gelo. Paramos em Sodankylä, para um lanchinho no café Kahvila Smak


Sorte alguém ter passado antes!

Sodankylä

café Kahvila Smak

Loja de brinquedos cheia de coisinhas do Angry Birds.




O caminho já dava sinais de que, apesar de tanta neve, o inverno não tinha ainda chegado com força. Muitas árvores com folhas verdes pelo caminho.

Até que chegamos no lindíssimo Northern Lights Village, em Saariselkä, para viver aquela que prometia ser a experiência mais icônica da viagem, nos hospedarmos no famoso iglu com teto de vidro. 



Fiz a reserva antecipadamente pelo Hoteis.com para duas noites, com café da manhã e jantar incluídos, por cerca de €800. No entanto, como o inverno estava atrasado, o hotel lançou, nas vésperas da nossa viagem, um pacote promocional de outono diretamente no site deles, incluindo almoço e duas atividades, o que me custou um upgrade de mais €450. A inclusão de atividades e  almoço facilitou muito a nossa vida, já que qualquer bobagem (como alimentar renas) por lá custa em média 100€ por pessoa.

O hotel é um deslumbre, fino, elegante e extremamente aconchegante, daqueles que fazem a gente (no caso, a mamãe) se sentir até meio "desencaixada" de tanto luxo. O atendimento é impecável e as amenities no banheiro (com produtinhos da Rituals) são um carinho à parte. Comi pão como se não houvesse amanhã e quase caí na tentação de levar potinhos para encher com o shampoo do hotel, mas o bom senso prevaleceu, amém! Enquanto eu e papai aproveitávamos a calmaria, você estava na glória, fez amizade com uma menininha alemã de 5 anos.




Mas, como nem tudo são flores no Ártico, o grande sonho de ver a aurora boreal do conforto da cabine quentinha acabou não se realizando como imaginamos. Pegamos dias muito nublados e, embora estivesse ocorrendo uma tempestade eletromagnética, ou seja, havia aurora no céu, o teto de vidro nos mostrava um céu 100% encoberto. A olho nu não víamos nada, mas a tecnologia salvou o registro: ousei fazer uma foto com o celular que captou um tom verde muito próximo das fotos famosas que vemos por aí. 

E aí?? Vale dizer que vimos aurora do quarto com teto de vidro ou não???

No sexto dia, fizmos duas atividades com o hotel: um safari com os huskies siberianos e uam caça à aurora.

Como ainda não havia neve suficiente para os trenós tradicionais, participamos do treinamento dos cães para a temporada de inverno em um carro adaptado que percorria a floresta em Ivalo, experiência chamada de Autumn Husky Safari.  No início, a situação foi até engraçada: levamos uns sete minutos para perceber que estar naquele carro já era a própria atividade, e não apenas o caminho para o safari.

Os cachorros puxando o carro, que não estava desligado, mas ia beeem devagar. Foi decepcionante no começo e divertido no meio..ahahaha







Os cachorros são um show à parte: extremamente barulhentos, ativos e divertidos, parecendo verdadeiros "Angry Birds" de quatro patas. Mesmo com o carro parado, eles faziam tanta força que o veículo chegava a balançar para frente; e, assim que tinham um segundo de descanso, começavam a pular alto, brincar e brigar entre si. Foi fascinante ver de perto essa energia, imaginando que, no inverno rigoroso, são eles que comandam a direção dos trenós pelos campos gelados. Se fôssemos pagar por fora, essa brincadeira custaria €79 por pessoa, no Guesthouse Husky, o que reforçou a sensação de que o upgrade do pacote valeu cada centavo para a nossa imersão na cultura da Lapônia.

A outra experiência foi fantástica, mesmo que nao tenha sido perfeita. Fizemos a Aurora Camp on the Border, com duração de 4 horas.  A atividade é uma caçada à aurora boreal que nos levou literalmente até a fronteira com a Rússia, na ponte Paatsjoki. Estava uma escuridão surreal, daquelas em que a única luz vinha do farol do carro, e o portão da fronteira impunha um respeito imediato com seus avisos de área militar e câmeras por todos os lados. O guia nos contou histórias fascinantes, como a regra de que quem tenta cruzar ilegalmente para o lado russo é recebido por cachorros treinados para conter, já que as autoridades vizinhas fazem questão de receber o invasor vivo.




Apesar de a aurora boreal não ter dado o ar da graça naquela noite, o hotel soube muito bem como entreter os turistas e fazer o "dever de casa". Nos reunimos em um acampamento Aurora em Virtaniemi, dentro de uma cabana típica (lappish), onde o clima era de total aconchego ao redor de uma fogueira. Foi uma delícia ouvir casos da região, contação de histórias e aprender curiosidades sobre a fauna local enquanto assávamos marshmallows e tomávamos suco quente.

Descobrimos, por exemplo, que o wolverine (glutão) é um bicho superprotegido e temido na Finlândia, e que a caça aos ursos é rigorosíssima, permitida apenas para cidadãos exemplares que não tenham sequer uma multa de trânsito. Também percebemos o quanto fomos sortudos em Rovaniemi, pois soubemos que há pouquíssimos mooses na Finlândia e nós conseguimos avistar um na estrada. Se a aurora tivesse aparecido refletindo na água da ponte, teria sido magnífico, mas a experiência da fronteira e as histórias na fogueira já valeram o passeio, que custa cerca de 189€ por pessoa e dura mais de 4 horas.

Saímos de Saariselkä com o coração cheio, reforçando a lição desta viagem: o luxo é maravilhoso, mas a magia da natureza acontece quando e onde ela quer, restando a nós aproveitar cada minuto do "quentinho" enquanto a vida passa lá fora.

No dia de ir embora, o céu resolve mostrar as caras.


No sétimo dia, saimos de Saariselkä em direção a Levi. Embora o plano inicial fosse ir até a Suécia, a previsão de céu nublado nos fez mudar de rumo em busca de janelas de céu aberto para caçar a aurora boreal.

Acho que foi o capítulo mais autêntico da nossa road trip pela Lapónia, transformando uma simples viagem de carro numa sucessão de descobertas pelo Ártico. O trajeto de 260 km foi lindíssimo, com paisagens de tirar o fôlego que serviram como uma verdadeira higiene mental.

Cruzar as estradas finlandesas nesse cenário é uma experiência de pura contemplação: a paisagem é dominada por florestas de pinheiros carregados de gelo que parecem saídos de um postal, e a segurança que sentimos ao conduzir, mesmo com alguns pontos onde o asfalto era invisível sob a neve, mostra como o país é preparado para o inverno. Ah, e as renas. Vimos muitas renas! Muito mais renas que pessoas humanas. 

Curtimos o fato de estarmos tão ao norte, notando que naquela região havia bem menos neve do que em Rovaniemi. Fizemos uma parada estratégica para comer em Pokka, no Tieva-Baari, um lugar familiar e fofíssimo com um cantinho de itens de segunda mão. Lá, provamos uma torta de carne de rena e biscoitos feitos em casa, tudo servido por um dono que era uma simpatia só.










A foto mais finlandesa da viagem!

Essas cores <3 Não há filtro nessa fotos!


Ao chegarmos em Levi, a atmosfera mudou completamente. A cidade é estruturada ao redor de uma pista de esqui soberana que domina a paisagem central e é totalmente iluminada, permitindo que a "onda" de esquiar continue mesmo após o pôr do sol.  É impressionante ver como a pista passa até por debaixo de pontes, integrando o esporte radical diretamente ao dia a dia urbano.



Pista de ski passando por debaixo de uma ponte.


Jantamos na pizzaria Kotipizza, ouvindo heavy metal finlandês.
 
No caminho para Levi reservamos a hospedagem da noite! Encontramos o Lapland Hotels Sirkantähti, por 136 um apartamento massa com um café da manhã espetacular (tinha até morcila de rena)! Ele fica localizado bem perto da estação principal de ski. Amei a secadora de roupa estilo geladeira. E tinha sauna.

Morcila de rena noc afé da manhã. Quem come isso? A mesma pessoas que come bala de amônia e alcaçuz. E acha bom.





Levi foi somente uma noite mesmo. Até consideramos ficar duas, mas como nao tinhamos plano de esquiar e os preços das atrações eram proibitivos, resolvemos voltar para Rovaniemi, onde a previsão do tempo para ver a aurora era boa.

Para ter  uma ideia, demos uma olhada no parque Arcandia, que foi montado em uma locação de filme que nem chegou a ser produzido por causa da pandemia. O lugar é super "instagramável", com decoração de biscoito de gengibre e gente fantasiada, mas os valores eram simplesmente surreais: 89€ por adulto e 69€ por criança para ficar apenas uma hora e meia lá dentro. O passe para o dia todo custava inacreditáveis 169€ por pessoa, sem oferecer sequer um simulador ou montanha-russa. Tinha oficina de decoração de biscoito de gengibre e gente vestida de fantasia natalina. Naquele momento, até os preços da Disney começaram a parecer uma pechincha! Sério, prefiro mil vezes ir ver a vida real no supermercado (como, aliás, fizemos algumas vezes).

No supermercado a gente descobre, por exemplo, que os finlandeses são precoupados com os niveis de ferritina. Tem exame a venda nas gôndolas. 

Sobre o exame de ferritina, o Gemini tá aqui me contando que "A deficiência de ferro é um problema de saúde relativamente comum nos países nórdicos. Estudos locais indicam que uma parcela significativa da população, especialmente mulheres em idade fértil e praticantes de exercícios intensos apresenta baixos estoques de ferro. O governo finlandês incentiva o monitoramento preventivo para evitar a anemia e o cansaço crônico, que podem ser agravados pela falta de luz solar no inverno.". 

No oitavo dia, saimos de Levi com os termômetros marcando 9ºC. Positivos! Imagina se isso é temperatura de inverno no norte do mundo! Surreal. 

Rumamos para Rovaniemi e o destino reservou uma daquelas surpresas que só acontecem quando a gente se permite sair do óbvio e seguir a curiosidade. O Google Maps nos mostrou um museu pertinho da estrada e, intrigados pela descrição, decidimos encarar uma estradinha de terra batida e gelo escorregadio, onde a neve derretida exige paciência e cautela, para chegar à fazenda onde viveu o pintor finlandês Reidar Särestöniemi.



O Särestöniemi-museo é um lugar que transborda paz e autenticidade. Ele preserva o local onde o artista nasceu, cresceu e produziu sua obra, composto por vários chalés de madeira que abrigam a casa da família, o ateliê e as áreas de exposição. Reidar fez fortuna com sua arte, mas escolheu passar a vida ali, naquelas margens silenciosas do rio Ounasjoki, num cenário de "confort home" encantador onde só se ouve o barulho da madeira e dos pássaros. Muito compreensível! Caminhar entre os prédios é como entrar na mente do pintor: vimos de perto sua mesa de trabalho bagunçada de tintas, as vistas das janelas que o inspiravam e obras que retratam a força e a nudez da alma finlandesa.









14h às argens do rio Ounasjoki. Nenhum traço de neve.
Era dia 08/11/2024.


O ingresso custa 15€ (caro perto dos 17€ do Louvre!) e a visita foi um bálsamo para nós. Nessas viagens longas, o inesperado muitas vezes supera o planejado; encontrar um refúgio de arte e silêncio no meio do caminho, em plena golden hour das 14h, nos lembrou que a beleza da Lapônia vai muito além das luzes no céu. Foi o momento perfeito de "higiene mental" antes de retornarmos ao agito de Rovaniemi para a nossa última caçada à aurora boreal.

Depois do musei, paramos num supermercado para comprar algo para comer e seguimos viagem sob um aluz espetacular.






Durante o café da manhã em Levi, fiz a reserva das próximas duas noites em Rovaniemi pelo Airbnb, por R$ 1.200 em um apartamento top. Detalhe: eu havia feito uma reserva em hotel para a última noite em Rovaniemi pelos mesmos R$ 1.200.  Deixar para resolver as coisas mais perto da hora se mostrou uma estratégia econômica excelente, muito adequada para viagens em baixa temporada.

Ainda sobre economia, além de pagar duas noites pelo preço de uma, ainda tivemos uma cozinha a disposição, o que reduz muito o gasto com comida E com calorias. O pacote passeio no mercado + economia + comida saudável gostosa é impagável!

A nossa última incursão ao mercado finlandês ainda rendeu reflexões sobre a cultura local: além dos testes de ferritina, vimos também adesivos de nicotina nas gôndolas. Achamos  bizarro o marketing de bebidas "zero álcool" para crianças, com garrafas temáticas de desenhos que parecem incentivar o hábito precocemente. 


Garrafas de "espumante" zero para crianças. Credo.

Mas o que ficou guardado no coração foi a sua doçura, Lilica, escolhendo uma flor no mercado e colocando no carrinho para levar de presente para a vovó Nice. 


Lia, a nossa volta para Rovaniemi não poderia ter sido mais especial, coroando o fim da viagem com o reencontro que tanto esperávamos: ela, a aurora boreal, voltou a aparecer para se despedir de nós. Mesmo depois de termos passado por dias nublados mais ao norte, onde o inverno parecia estar "atrasado" e os locais quase pediam desculpas pela falta de neve e frio intenso, Rovaniemi nos presenteou com um céu limpo e vibrante.







Dessa vez, até vermelha ela ficou!


As nossas auroras foram assim, conquistadas "na raça" e totalmente gratuitas, sem gastar uma fortuna em excursões luxuosas para viver essa magia; basta um pouco de paciência, monitorização constante dos aplicativos e o deslocamento para alguma região sem luz nos arredores. É importante alinhar as expectativas, pois nas fotos as luzes aparecem muito mais fortes e nítidas do que ao vivo, mas a emoção de ver aquele rastro verde dançando e mudando de forma sobre as copas das árvores é algo que a câmera nunca conseguirá captar totalmente.

Ao regressarmos à cidade, seis dias depois, encontrámos uma Rovaniemi completamente diferente e "degelada", com as cores a aparecerem à medida que a temperatura subia. Nas fotos abaixo, os mesmos lugares com a diferença de 6 dias.




No nono dia foi de despedidas e de aproveitar cada segundo antes de arrumarmos as malas para o regresso. 

Começámos a jornada a cerca de 60 km da cidade para visitar o Ranua Zoo, um parque focado exclusivamente em animais "amigos do frio" das regiões polares. O passeio é caro  para o que oferece: o ingresso custa 23€. A caminhada pela floresta é deliciosa, mas como os recintos são enormes, os bichos ficam muito longe e muitas vezes nem dão as caras. É um zoo beeeem simples. "Sorte" que estávamos de carro. O pacote completo com transfer partindo de Rovaniemi chega a 100€ por pessoa. Não vale. Mesmo.









Almoçamos no Café & Bistro Bubo, bem na frente do zoo, um restaurante com buffet gostoso e provavelmente caro...rsrsr. Não lembro!

Voltamos para Rovaniemi e demos um giro pela cidade para conhecê-la colorida!  Voltamos à Santa Claus Village e fomos surpreendidos com termômetros marcando temperatura positiva e nem um traço de neve no chão onde antes tudo era branco. Aproveitamos o clima mais ameno para passear sem pressa pela vila iluminada e tirar as últimas fotos em família, inclusive uma belíssima batida por ti. Foi o encerramento perfeito de uma viagem que nos ensinou que, no Ártico, quem manda é a natureza, restando a nós apenas agradecer pela sorte de termos visto a aurora dançar e por termos vivido momentos tão autênticos juntas.





Fomos para casa terminar de arrumar malas, mas teve gente querendo se despedir! Era ela, novamente, a aurora avisando que tava chegando. Não teve jeito! Saímos de casa novamente, agradecendo ter tido 3 noties de aurora em 7 noites de Finlândia. Sucesso!!






No décimo dia, devolvemos o carro cedão no aeroporto de Rovaniemi e logo voamos para uma escala em Helsinki. Cabe aqui o registro da beleza elegante de Helsinki: pisod e madeiras, lojas finas, brechó de luxo, salaa vip minimalista e clean. Muito legal!

Voo de Helsink para Lisboa: seu 100º voo, filha!

desnorteados, em Lisboa, nos hospedamos no Ibis Lisboa Jose Malhoa (bom e velho hotel barato com pontos All para ele ficar mais barato ainda!). PS: desnorteado é quem sai do Norte, segundo Belchior, em Fotografia 3x4.

A programação era andar no Bondinho 28. Indo até o ponto, pegamos um fim de tarde na Praça da Figueira esplendoroso!





O Bondinho 28 é um dos elétricos mais antigos da cidade, um modelo clássico conhecido como "Remodelado". Ele faz um percurso que passa pelos bairros mais históricos (Graça, Alfama, Baixa, Chiado e Estrela). 

Esperando o bondinho!

Demos uma sorte incrível com o motorista, o Sr. VieiraEle poderia ter apenas feito o seu trabalho, mas optou por ser gentil e tornar a viagem inesquecível, especialmente para as crianças, o que rendeu muitos aplausos de todos a bordo. Ele colocou as crianças na frente (se era seguro é oooutra história..kkk), se comunicava com os outros bondinhos, pousava para fotos para quem estava nas pistas fotografando. Um alto astral! 

Olha o Sr. Vieira ali atrás fazendo coração com as mãos <3

Depois de descermos, aproveitámos para nos perdermos deliciosamente pelos becos de Alfama, caminhando entre as ruelas iluminadas e sentindo a alma do bairro. Passámos pela imponente Sé de Lisboa e terminámos a noite no Largo de São Miguel, onde a fome bateu antes da hora da nossa reserva oficial. Acabámos por jantar duas vezes, deliciando-nos com um polvo imenso no restaurante Sabor a Alfama por cerca de 18€ (pagos com muita dificuldade, porque o local não aceitava cartao, e nós não tínhamos dinheiro. Foi uma "piada" (só que não)  sacar dinheiro num caixa lá perto e pagar uma fortuna de taxa.





Depois, vimos a linda Sé de Lisboa iluminada à noite. A Sé é a catedral mais antiga da cidade, cuja construção começou no século XII, logo após a reconquista da cidade aos Mouros. Suas torres parecem de um castelo! 


E aí chegamos no Restaurante Castiço, que haviamos feito a reserva para despedida de Lisboa.


Eu queria uma saideira de respeito! Consegui :-)

Prédios lindos!! Amo tanto.

Assim, nos despedimos de Lisboa com o coração cheio e a certeza de que voltaremos!

Lia, para fechar a nossa grande aventura com chave de ouro, no décimo primeiro dia,  o caminho de volta para casa foi no maior estilo, voando na Classe Executiva da Azul. Sei 101º vôo! 

Mamãe milheira raiz significa uns vôos em executiva de vez em quando :-) Dessa vez, só tinha voucher de upgrade para nós duas, papai veio de econômica. Mas dizem por aí que o importante é viajar...rsrsr 


E assim foi mais uma aventura! Que delícia viver isso com você, filha. Que privilégio.

Eu te amo tanto!

Mamãe.