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quarta-feira, 22 de abril de 2026

As Pequenas Alegrias em Cavalcante/GO - Abril de 2026

Oi, Lia!

Mamãe e papai deram uma escapulida e passaram uns dias em Cavalcante/GO, na Chapada dos Veadeiros, "onde a vida desacelera de um jeito que só acontece quando a natureza ao redor não te dá outra opção"

Hospedagem: Sense Chapada

A hospedagem escolhida foi o Nature Sense Chapadinha, refúgio perfeito para casais e para quem quer se reencontrar sem pressa. O tipo de lugar onde o silêncio não incomoda: ele acalma. "Adoro esse silêncio, o das manhãs, [...]. Nesses momentos, espalha-se por minhas veias, por meus membros, por meu ventre, uma alegria intensa e uma serenidade profunda.".






Passeios:

Apesar da falta de vontade de sair do chalé, visitamos 3 atrativos. Dois pertinho do chalé (Reserva Particular de Patrimônio Natural Vale das Araras e Complexo Veredas )  e um mais distante (Cachoeira Santa Bárbara).

Reserva Particular de Patrimônio Natural Vale das Araras é aberta para pessoas que não estão hospedadas na Pousada Vale das Araras das 7:30 às 15:00 (hora de entrada), com retorno até as 17:00.  A taxa é de R$ 35,00 por pessoa. Não precisa de guia. Contato: +55 62 9901-3938. 

A trilha do Vale das Araras é um caso de estrutura bem feita na Chapada. Sinalização impecável, percurso bem demarcado em cerca de 6 km no total (ida e volta), e um detalhe que eleva tudo: uma trilha sensorial com áudios guiados, baixados na recepção e acionados pelas placas de sinalização ao longo do caminho, contando a história do cerrado, da fauna local e do ciclo do ouro em Cavalcante.

A trilha principal, a das Araras, leva até a Cachoeira São Bartolomeu, com poço calmo e efeito de hidromassagem natural. Com mais cinco minutos de caminhada, chega-se ao Poço dos Buritis. Ao longo do percurso há bifurcações: uma leva à Trilha do Ouro, de caráter mais contemplativo, e outra ao Recanto das Pedras, outro ponto do rio com acesso a banho.

Cachoeira São Bartolomeu




E há muito a contar na Trilha do Ouro. Dentro da reserva existe um garimpo histórico: você encontra o muro construído no rio para conter e desviar as águas, por onde garimpeiros trabalhavam na extração do ouro,  estrutura que permanece praticamente intacta desde o século XVIII, quando Cavalcante nasceu exatamente a partir da descoberta do ouro na região. Caminhar por ali é entrar numa cápsula do tempo: o cerrado de um lado, o muro de pedras do outro, e a sensação de que aquele lugar guarda memória.

As matas fechadas funcionam como um ar-condicionado natural, a temperatura cai, os aromas mudam, os sons são outros. 

Trilha e cachoeira não permitem distração. O corpo entra em modo de atenção plena — onde pisar, como pousar o pé, se escorrega, a vegetação roçando a pele, a temperatura da água fria quebrando o calor da caminhada. É um banho de presença. "O insignificante desaparece, o essencial o é de fato."

O Complexo Veredas ,  que inclui a pousadafazendaveredas.com.br, é uma ótima pedida na região. A entrada é das 08h30 às 15h para entradam e sapida até 18h. O  ingresso custa R$ 75 para adulto e crianças acima de 12 anos, crianças de 0 a 6 anos não paga, de 07 a 11 anos pagam meia e idoso paga R$ 50.

O complexo tem muitos atrativos, com nível de a dificuldade de acesso de médio a difícil.

O grande destaque é a Cachoeira Veredas, com impressionante queda de 98 metros dentro de um cânion. O horário faz toda a diferença: entre 10h30 e 13h, quando o sol incide diretamente sobre a queda, a névoa formada pelo impacto dos 98 metros funciona como um prisma natural, e aparece um arco-íris suspenso bem na frente de quem observa. O fenômeno acontece porque as gotículas microscópicas de água em suspensão refratam e decompõem a luz do sol nas sete cores do espectro, exatamente como um prisma de cristal faz. É física pura, mas parece magia.






O que torna tudo ainda mais hipnótico são as ondinhas que a queda forma no poço. Com a altura e a força da água, o poço vibra em pequenas ondas concêntricas e, vistas de fora, essas ondas parecem ter cor. Não têm, claro: é o arco-íris projetado sobre elas, dançando conforme o movimento da água. E quando as ondas somem e só resta o vapor subindo lentamente, o efeito muda: o vapor colorido sobe, como se você estivesse olhando para dentro de um caleidoscópio ao vivo.

Além da Cachoeira Veredas, o complexo conta com o Poço Encantado (lindinho!), a Toca da Onça, a Cachoeira Véu de Noiva, a mais alta do complexo, para a qual é necessário carro 4x4. 

Aqui as trilhas são mais raiz, mais naturebas, é dia de emoção! 






Depois de rodar um pouco e ter encarado a Trilha dos Escravos, voltamos para a Cachoeira Veredas simplesmente para ficar um tempo por lá fazendo nada, a não ser ouvindo a cachoeira e vendo o tempo passar. Li um tanto, cochilei. Abria o olho e via aquele desbunde de cachoeira. Voltava pro livro, Silêncio. "Foi um desses momentos que, enquanto estão sendo vividos, sabemos que ficarão guardados para sempre."


A Cachoeira Santa Bárbara fica dentro do Território Quilombola Kalunga, o maior quilombo remanescente do Brasil, com mais de 250 mil hectares e uma comunidade que descende de escravizados que fugiram e construíram, no século XVII, uma sociedade própria no coração do cerrado goiano. Visitar o território é, antes de tudo, um ato de reconhecimento dessa história. O acesso é controlado pela própria comunidade, que administra o turismo, treina os guias e define as regras de visitação.



A cachoeira em si é genuinamente linda: queda de 28 metros, água azul-turquesa, cerrado ao redor. Mas vou ser ser honesta sobre a experiência.




É um passeio caro. O guia para uma cachoeira (são 3 no complexo) custa R$ 200 por grupo. O ingresso, que deve ser comprado antecipadamente, porque acaba, custa  R$ 65 por pessoa. Daí tem um transporte interno de pau de arara. São os 5 km entre a recepção e o ponto de descida a pé, que custam mais R$ 30 por pessoa, ida e volta. Um casal, nessa brincadeira, já gastou R$ 390,00. Fora o deslocamento de 27km entre Cavalcante e o estacionamento onde pegamos o transporte interno. Depois tem 2 km de trilha bem estruturada até a cachoeira, com visual lindo do cerrado. Uma delícia de trilha. Mas ao chegar, o espaço é pequeno, a visitação é controlada, e você tem apenas 1 hora na cachoeira. Com tanta gente no mesmo lugar ao mesmo tempo, o encanto se dilui.

Fiz porque queria muito dar esse check. A cachoeira é bonita, sim, mas, não é assim espetacular. Se você já conhece cachoeiras bonitas na Chapada, pense bem antes de investir. Se for a primeira vez na região ou se Santa Bárbara é um sonho antigo, vá, só vá com a expectativa calibrada.

Nosso passeio foi coroado pela guia Bárbara. Uma grata surpresa. Educada, simpática e sabida, cheia de vontade de compartilhar o que sabe. Nascida e criada em Cavalcante, 16 anos de profissão, já morou em Brasilia, tem história para a ida e para a volta. Nos mostrou plantas do cerrado, nos falou do solo, das placas tectônicas, nos levou para ver uma pedra com ouro.  "Cada apoio, cada presença, seriam uma muleta sobre a qual poderíamos nos apoiar ao cambalear". O contato dela é +55 62 9625-7673 O Instagram é @barbaraguiadachapada 





Gastronomia

Para comer, rodamos uns poucos restaurantes da cidade e também comemos um casa.

O Vila Nômade e o Le Refuge são à la carte, com preços ok e pratos menores. Não é o lugar para quem vai com muita fome, mas é ideal para quem quer comer bem e com calma. O Le Refuge tem um charme especial: é francês, com algumas criações fora do comum. Destaque para a massa de pizza feita de grão de bico — não é pizza, mas é deliciosa — e para a refeição servida numa cumbuca feita de massa. Criativo, gostoso, vale a visita.

Vila Nômade


Le Refuge

Le Refuge



O Aloha e o Restaurante Cavalcante são outra proposta: PF generoso, farto e barato, com prato executivo em torno de R$ 30. Gostosos e sem frescura.

Em todos eles, um aviso importante: o serviço é demorado. Não por descaso, é o ritmo do lugar. "A felicidade extravasa, a mágoa é insondável, o insignificante desaparece, o essencial o é de fato." Na Chapada, até a espera pelo prato tem outro sabor.

Em Cavalcante, saboreamos cada segundo. A Chapada nos ensina o que é difícil aprender no cotidiano: a não deixar "o supérfluo esmagar o essencial", a ter consciência da fugacidade dos instantes enquanto eles ainda são palpáveis. Essa viagem foi o antídoto exato para a vida que corre rápido demais.

"Depois de vividas, as pequenas alegrias não desaparecem. Em algum lugar, bem no fundo, elas duram para sempre. São chamadas de recordações."

Beijos. Mamãe.

PS: As citações em itálico ao longo do texto são do livro As Pequenas Alegrias, de Virginie Grimaldi,  leitura escolhida para esses dias na Chapada, e que combinou com a viagem de um jeito que só acontece quando o livro certo aparece na hora certa. A autora francesa, a mais lida da França por três anos consecutivos, escreve sobre os pequenos grandes momentos que moldam uma vida,  exatamente o que uma viagem faz por nós.


quarta-feira, 16 de junho de 2021

Chapada dos Veadeiros - Maio de 2021 com criança de 3 anos e 8 meses

 Lia,

a Chapada dos Veadeiros é aqui do ladinho de casa e mamãe e papai quase não se lembram dela. Olha, um grande erro. Com a pandemia, por causa do coronavírus (como você mesma diz :-)), e a dificuldade de programar viagens mais longas ou voar de avião, nossos olhos acabaram se voltando para o que temos por perto, de acesso fácil. Aí surgiu a idéia de ir para a Chapada dos Veadeiros, de domingo a terça. Uma escapadinha rápida e eficiente.

Nos hospedamos em Alto Paraíso, na Pousada Meu Talento, que é um char.me! Desde o contato virtual, eles são muito gentis e simpáticos, nos deixam muito a vontade. A pousada é linda, muito bem cuidada. As acomodações são espaçosas, tem uma varanda linda com rede, roupa de cama deliciosa, TV com canais abertos, a cabo e streaming, amenities da Natura e um varal esperto na área externa pra gente pendurar as roupas molhadas. A área externa também é linda e confortável, a piscina é climatizada (no tempo friozinho que pegamos não resolvia muito), a noite tem fogueira com marshmallow (as crianças piram!). Araras e tucanos são frequentes por lá! O café da manhã é espetacular. Lindo, delicioso, farto. Um arraso de pousada.

A varanda do nosso quarto. 


A vista da varanda de onde tomamos café da manhã


No domingo, saímos cedo de Brasília e a programação era almoçar no Na Mata, que fica em São Jorge. Mas, como chegamos um pouco antes que o programado, aproveitamos e demos uma passadinha no Vale da Lua antes de ir pro restaurante. 

A entrada do Vale da Lua custou (acho) que R$ 30 pros adultos. Você tirou de letra a trilha entre a recepção até as rochas, e, inclusive, explicou para uma família que vinha em sentido oposto que seu sapato era próprio para cachoeira e podia molhar :-) Também não teve nenhum problema em caminhar pelas rochas. Se encantou com o lugar e colocou seu barco viking pra navegar. 




Você construiu esse barco viking na escola, filha, nas aulas sobre a Noruega. Ele navegou muito no Vale da Lua e acabou nem voltando na viagem :-) 


Depois, seguimos para o Na Mata, que é um restaurante que fica numa área incrível e a proposta não é apenas gastronômica. O local te convida a relaxar, desacelerar, demorar, observar, repensar. Ele fica meio que na mata mesmo, tem redes, galinhas, cachorros, gatos, música excelente, aquela vibe de que não é preciso pressa. É muito legal! Você, filha, amou. Deu comida pras galinhas, correu nos gramados, brincou na quadra de areia e tirou um bom cochilo na rede. A comida é maravilhosa, o preço é salgadinho e a experiência vale muito a pena.

Hippies.





Imagina se a vontade não é ficar ali pra sempre...





Mesmo já tendo feito um monte de coisas, chegamos na nossa pousada em Alto Paraíso umas 17h e conseguimos aproveitar um pouco da piscina (apesar do friozinho). Saímos pra jantar no italiano La Vitta é Bella. Comida muito boa, atendimento muito ruim.

Na volta pra pousada, assamos uns marshmallows na fogueira e encerramos nosso dia. Foi um grande dia!

Na segunda-feira, depois de um café da manhã inesquecível, fomos pra Cachoeira Loquinhas, que na verdade é um complexo de poços, trilhas e cachoeiras. A estrutura é excelente e o acesso muito fácil, com boa parte da trilha em madeira suspensa. A trilha é tão acessível que você só queria correr! Mas, como ela tem uns trechos de trilha suspensa e estreita, mamãe não deixou você correr e aí você ficou chateada. Passada chateação, foi só alegria!

Filha, você só queria ir correndo sozinha na frente. Nessa parte, tudo bem.

Mas aí começaram as trilhas estreitas e suspensas, e nem sempre tinha essa proteção lateral.

Tinham muitos lugares altos assim!





A alegria de quem descansou na sombra num parquinho de areia depois da trilha (Fica bem do ladinho da recepção)

O almoço foi no vegetariano Coisas da Drica. Comemos um hambúrguer de grão de bico que surpreendeu.

A tarde, curtimos pousada. Cochilamos, lemos nas áreas externa, vimos revoadas de araras. Jantamos na Querubim Hamburgueria Artesanal, agora com hambúrguer de carne bovina mesmo. Bem gostoso!

Na terça-feira, pela manhã fomos na Cachoeira dos Cristais, outra opção com bastante estrutura e vários poços e pequenas cachoeiras no caminho até chegar na cachoeira principal, a Véu da Noiva. Aqui a diversão foi bem maior! A trilha é roots, cheia de pedras. Você curtiu demais!!! Subia e descia as pedras com toda empolgação, não teve tempo pra tédio e nem chateação. Se deu conta de que  a palavra trilha parece com a palavra Lia e não se cansava de repetir isso, inclusive para as outras pessoas. Você dizia "trilha parece com Lia"! O local tem mirantes lindos, tem restaurante/lanchonete (quando fomos, só a lanchonete funcionava). Foi a que nós mais gostamos.



Essa queda d'agua fica a uns 200m da recepção e do estacionamento, super acessível.


Almoçamos no Bistrô Vinil (foi muito bom!) e voltamos pra nossa Brasília.

Nossa pequena viagem foi muito legal! Confortável, divertida, segura. Optamos por dias da semana justamente para evitar aglomerações e deu certo.

Beijocas, filha. Te amo! Mamãe.